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GILBERTO DIMENSTEIN - Tiririca e os idiotas
A palavra "idiota" vem do grego "idiótes" e era usada para designar quem não
participava da vida política
NESTE SEGUNDO semestre, começa a temporada de uma das mais árduas batalhas por
um emprego, superando de longe a relação candidato/vaga do mais disputado
vestibular ou de qualquer concurso público. Em alguns casos, são 2.800
candidatos por vaga, que se submetem a uma maratona de provas e entrevistas. Se
não for fluente em inglês, é melhor nem tentar: esse é um dos requisitos mínimos
para ser admitido como trainee nas melhores empresas brasileiras.
Uma das principais especialistas em recrutamento de jovens no mercado de
trabalho, a psicóloga Sofia Esteves informa que tão importante quanto ter um
diploma de uma boa escola é demonstrar sólida capacidade de argumentação,
criatividade, análise crítica e conhecimentos gerais. Precisa ter claro um
projeto de futuro (o que implica autoconhecimento). Durante toda a bateria de
testes, vai precisar mostrar que quer muito ser escolhido e que está disposto a
se submeter a metas rígidas.
Essa crescente cultura meritocrática nas empresas ajuda a explicar a aversão dos
jovens à vida política, que, neste ano, ganhou como ícone o comediante Tiririca,
autor do slogan mais polêmico destas eleições ("Pior do que está não fica").
Um dos problemas do país (que se acentua cada vez mais) é a crescente rejeição
de jovens talentosos a entrar na vida pública ou mesmo a acompanhá-la.
Isso é o que se pode chamar de idiotice -pelo menos no sentido que os antigos
gregos emprestavam ao termo.
Num livro lançado neste mês, os filósofos Mário Sérgio Cortella e Renato Janine
Ribeiro contam que a palavra "idiota" vem do grego "idiótes", expressão usada
para designar quem não participava da vida política, considerada uma atividade
suprema e nobre.
A "idiotice", nesse sentido grego, virou uma atitude disseminada em boa parte da
elite brasileira, especialmente entre os jovens, mas não sem motivo: afinal, são
tantas as notícias de corrupção e fisiologia, um pragmatismo que beira a
imoralidade. E, aí, não se diferenciam os partidos: Lula está no mesmo palanque
de Collor, Serra está no mesmo palanque de Orestes Quércia.
Bandalheiras, desvios e desperdícios provocam tão pouco escândalo porque as
pessoas não prestam atenção ao noticiário e, se prestam, acham que política é
isso mesmo.
Tudo acaba se misturando e justificando as imagens de Tiririca, Ronaldo Esper,
Agnaldo Timóteo, Marcelinho Carioca, Maguila.
É um ambiente muito distinto do das empresas que tentam fisgar a atenção dos
melhores trabalhadores. Elas têm de se apresentar éticas, transparentes,
socialmente responsáveis, como lugares onde se possa aprender e se desenvolver.
Essa é a receita para atrair e manter os talentos que, segundo as pesquisas,
priorizam não o salário, mas o aprendizado e a qualidade de vida.
É por isso que são empresas mais inovadoras e, por serem mais inovadoras,
conseguem melhores e mais sustentáveis lucros.
Quando é talentoso e empreendedor, o jovem prefere abrir sua própria empresa e
correr mais riscos.
Os chefes de recursos humanos são cada vez mais criativos. Já há empresas que
oferecem, durante o período de trabalho, sessões de ioga ou massagem, além de
academias de ginástica e locais para tirar uma soneca depois do almoço. Os
horários também vão ficando flexíveis.
Essas empresas bancam a faculdade e cursos de especialização ou quaisquer
cursos, mesmo que nada tenham a ver com o trabalho. Muitos chefes acreditam que
a simples vontade de aprender -de culinária a alpinismo- é algo bom para a
produtividade do empregado.
Um dos atrativos da IBM (a campeã de registro de patentes) é postar na sua
intranet todas as oportunidades de emprego que seus profissionais podem postular
na empresa em qualquer lugar do planeta. Uma das agências mais premiadas no
Brasil, a DM9DDB oferece dois dias livres por mês para seus funcionários
exercerem alguma atividade comunitária, desde que, depois, a experiência seja
compartilhada com os colegas.
Daí se pode medir como um jovem se sente quando um Tiririca admite
orgulhosamente que desconhece o papel de um deputado e que, apesar disso, com
ele no Congresso, pior não fica. É como se todos fôssemos idiotas -e não no
sentido grego.
PS - No www.dimenstein.com.br, coloquei trechos do livro "Política Para Não Ser
Idiota", de Mário Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro.
Extraído do Jornal A Folha de São Paulo - 29/08/2010
Fazer no word atentando:
a) Colocar o nome da escola, nome, série, data, título, questões e respostas.
b) fonte legível
c) numerar as questões e perguntas em itálico e respostas (sem ser itálico)
d) Usar uma única fonte para todo o trabalho.
e) justificar
Questões:
Quais os requisitos básicos para ser admitido como trainee nas melhores empresas?
Na concepção de Sofia Esteves, o que é importante na hora de fazer o recrutamento de jovens no seu primeiro emprego?
Por que jovens talentosos rejeitam a vida pública?
Qual o significado da palavra "idiota"?
Descreva: - ambiente empresa e ambiente político.
O que você concluiu com a leitura dessa crônica?
Escreva o
significado das palavras: meritocracia, trainee, pragmatismo.