TOCANDO A TROMBETA

 

Tocai a trombeta pela lua nova, pela lua cheia, no dia da nossa festa.

Salmo 81:3

  Se tem uma coisa que os pais não gostam que venha em sacolinhas de surpresa nas festinhas de aniversário são apitos, cornetinhas e coisinhas barulhentas. O pior, é que elas sempre vêm nas sacolinhas. Eu mesmo, quando montei as sacolinhas de surpresa no aniversário do Felipe, coloquei algumas dessas coisinhas barulhentas. Um dia desses, o meu filho Felipe de 5 anos, achou uma cornetinha barulhenta, colocou um nariz de palhaço e começou a assoprar a mesma. Naquele dia, aquele som, tão barulhento e desafinado, não causou nenhuma irritação para mim, pelo contrário, estava ali o ruído de uma criança feliz, brincando com o seu brinquedinho inocentemente. Fiquei pensando comigo mesmo, até quando eu terei o privilégio de ouvir o meu filho tocar a sua cornetinha alegremente pelos quatro cantos da casa? Fui despertada da minha inércia e pensei na Bíblia, que muitas vezes fala para a gente tocar a trombeta.

 O som daquela cornetinha me ensinou várias lições:

1)      O excesso de brinquedos no quarto do Felipe, faz com que ele se distraia com outros brinquedos e outras coisas e acabe deixando de lado a sua cornetinha. Isso nos faz lembrar que o excesso de atividades no nosso dia a dia faz com que deixemos de tocar a nossa corneta que Deus nos concedeu tão graciosamente. O excesso de coisas nos faz ficar confusos, sem tempo e meio perdidos para as prioridades de Deus.

 2)      Um dia, quando o Felipe crescer, ele, com certeza não lembrará que um dia teve várias cornetinhas plásticas... Felizmente ele teve o privilégio de aproveitar a sua fase pueril, encher os pulmões de tocar sua cornetinha. Espero que ele, na sua estatura de varão perfeito, não venha esquecer dos seus momentos infantis... mas que ele, embora, sem a corneta plástica, venha louvar a Deus com todo o seu vigor, pois um dia, quando ele era criança, aprendeu a fazer a coisa com perfeição. E que nós, adultos nunca venhamos perder  o "jeitão da coisa".

 3)      Ouvir os nossos filhos com amor. Um sorriso, um afago, um bate papo. Um vez, ouvi uma frase que marcou a minha vida: Se você quiser ter manter um diálogo com o seu filho adolescente, deve começar aos 3 anos.  Talvez, o tocar da corneta, foi uma forma de manifestar-se: Mãe!!! Eu estou aqui. Embora eu esteja sempre com os nossos filhos, muitas vezes, eles estão desapercebidos dos meus olhos. O toque da corneta foi um alerta. Mãe... Eu estou aqui e ainda sou uma criança. Às vezes, sonho que os meus filhos cresçam logo e assim tenham certa autonomia naquilo que vão fazer. Mas... quando eu vejo as coisas que acontecem ao nosso redor com os nossos adolescentes, eu gostaria que eles fossem eternamente crianças com os seus 4 e 5 anos. Esse é o momento deles. Não gostaria de privá-los de serem crianças, de serem filhos e de terem uma família. Talvez isso crie bases sólidas para a sua adolescência. Assim também somos nós. Deus quer que sejamos crianças, inocentes que peguem a sua trombeta e toquem. Acho que isso alegra o coração de Deus. Sabe... no memento que olhei aquele olhar meigo e puro do Felipe com aquela cornetinha na boca, senti-me mãe - A mãe que ama. Eu imagino como Deus deve amar os seus filhinhos que na sua inocência, abrem os seus lábios para o adoraram com o coração puro, com um olhar sem malicia, com fé, sabendo que irá tocar o coração do Pai com o louvor.

 4)      Enfim, a Bíblia nos fala para tocarmos a nossa trombeta na lua nova. Um dia, ao ler esse Salmo 81 mais de 200 vezes (isso não é uma metáfora, eu perdi o número de vezes que li o Salmo 81 durante um período de tratamento de Deus na minha vida) lembro-me que Deus falou ao meu coração com relação a esse versículo:   Tocar a trombeta é o nosso testemunho de fé. A lua nova existe, mas a gente não a vê no céu. Ela está lá e   vai crescendo, crescendo (próxima fase da lua é a crescente) até ser lua cheia, a qual a gente vê aquela bolona bonita e brilhante. A fé é a certeza das coisas que não se vêem. A lua nova é a fé iniciando, que vai crescendo até ser avistada e depois disso, consuma-se a benção que é o dia da nossa festa. Em todas as situações é necessário o testemunho de fé. Nesse momento, eu acrescento: não somente um testemunho de fé, mas tocar a trombeta em voz profética, em louvor, adoração e gratidão. De uma forma, ou outra,  manifestar o dom que Deus graciosamente nos concedeu. Infelizmente, escondemos as nossas trombetinhas e esquecemo-nos dela em algum canto da casa, mas ao ouvir o pequeno Felipe tocar a sua cornetinha eu fui despertada para dar mais ênfase ao  louvor, adoração e a voz de  júbilo para com o nosso Deus, Pai, Criador, Senhor e  Salvador.

autora: Aurelina Silveira Ramos  - e-mail: linolica@yahoo.com.br

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